Tomar mate antes do exame de sangue altera os resultados?

O jejum é necessário para alguns exames, e seu tempo pode variar de acordo com o exame que vai ser feito, demandando um esforço e compromisso do paciente, e podendo interferir nos resultados se as orientações não forem seguidas corretamente. Quantas vezes você já se perguntou se podia ao menos tomar um pouquinho de café, mesmo sem açúcar talvez? Em um país como o Brasil, onde temos o costume de tomar café na manhã para realmente começarmos a nossa rotina do dia, o jejum pode ser algo bastante desconfortável em alguns casos, e os pacientes podem acabar comendo algo ou bebendo antes de ir fazer a coleta, eu já presenciei essa situação com familiares onde fui acompanhante.


Mas será que realmente se fizermos a ingestão de alguma bebida antes da coleta pode interferir nos resultados?

     Uma pesquisa foi feita na Argentina sobre o assunto e com uma amostra de 32 mulheres com idade entre 22 e 50 anos, com um jejum de 12 horas e um repouso de 15 minutos, foram coletadas as amostras de sangue. Após essa coleta, a equipe da pesquisa preparou de forma padronizada o mate para elas beberem, e depois da ingestão foram feitas mais 3 coletas com intervalo de 1 hora entre elas. Para o processamento das amostras foi utilizado um Sysmex XN1000 japonês, e obtendo os resultados de todas as etapas, os valores foram comparados para a análise de alguma possível interferência após a ingestão do mate.


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     Após a análise, observou-se que depois de três horas da ingestão, observou-se um aumento na concentração de hemoglobina e de neutrófilos, por outro lado, observou-se uma diminuição do volume corpuscular médio, da contagem de eosinófilos e linfócitos. Observe as imagens retiradas do artigo a seguir:

Diferença percentual média das
alterações na contagem da série branca.¹


Diferença percentual média das
alterações na contagem da série vermelha.¹

     Nas imagens você pode observar as diferenças que ocorreram a partir do momento da ingestão do mate, tanto na série vermelha quanto na série branca. Em comparação, o teste bioquímico deste estudo não sofreu alteração significativa, você pode conferir todos os resultados e parâmetros no artigo original, nas referências.

Essas alterações hematológicas podem ter explicação

     Como descrito no artigo, as alterações hematológicas sofridas podem ter explicação, e o vilão pode não ser o mate. Segundo os autores, o aumento significativo na contagem de neutrófilos pode ser atribuído a variações diurnas, e a diminuição dos linfócitos afetado através da regulação de cortisol pelo ciclo circadiano.

     Todas essas alterações podem ser devidas ao cronograma do estudo e não especificamente ao ato de beber o mate em si. 


O que podemos concluir

     Com esse estudo, podemos perceber o quanto a fase pré-analítica de um exame tem que ser preparada de forma minuciosa para evitar a interferência nos resultados.
     A orientação ao paciente no momento de marcar o exame tem que ser preparada de forma que ele saiba da importância do jejum e os efeitos que pode gerar se a orientação não for seguida corretamente.
     Com esses pequenos ajustes, podemos enquanto profissionais de saúde, melhorar a qualidade de vida da nossa população e cada vez mais sabermos como é o perfil do nosso país.
     Espero que tenha gostado desse post, se tiver alguma sugestão ou crítica, não hesite em deixar nos comentários abaixo, e se inscreva em nossa newsletter para receber os posts assim que eles forem publicados.



Referências:
  1. BENOZZI, Silvia Fabiana et al . Tomar mate previo a la flebotomía no interfiere en las pruebas bioquímicas de rutina. Acta bioquím. clín. latinoam., La Plata , v. 53, n. 4, p. 477-486, dic. 2019 . Disponible en http://www.scielo.org.ar/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0325-29572019000400008&lng=es&nrm=iso. accedido en 30 dic. 2020.

Carlos Wallace

Olá! Sou o Carlos, apaixonado por ciências da saúde e inovações tecnológicas no campo da biomedicina. Com uma sólida formação acadêmica e vasta experiência profissional, me dedico à pesquisa, diagnóstico e melhoria contínua dos processos laboratoriais. Minha jornada começou com uma graduação em Biomedicina, seguida por especializações que me permitiram aprofundar conhecimentos em análises clínicas e gestão da qualidade. Atuo em laboratório hospitalar, onde desenvolvi habilidades técnicas e gerenciais que me capacitam a enfrentar desafios complexos. Atualmente, trabalho como analista clínico, onde aplico normas rigorosas e boas práticas laboratoriais para garantir a precisão e a confiabilidade dos resultados. Sou também autor do blog e projeto OnBiomedical, onde compartilho insights e avanços na área biomédica, contribuindo para a disseminação do conhecimento científico e melhoria dos processos. Acredito na importância da educação continuada e na troca de conhecimentos para o avanço da biomedicina. Estou sempre em busca de novas oportunidades para aprender e crescer, tanto profissionalmente quanto pessoalmente.

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